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O pulsar ativo da cidade
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23-11-2012

Ciclo de Conferências Ativar Tavira - Tavira cidade do futuro

A conferência realizada no passado dia 23 de novembro de 2012, na Biblioteca Municipal Álvaro de Campos, em Tavira, teve como tema principal “Tavira cidade do futuro”, abordando diversos temas relacionados com a promoção da economia local e regional que contribuem para o desenvolvimento da comunidade e para o bem‐estar dos cidadãos.

A conferência lançou novos desafios e novas propostas para o debate sobre a economia regional.

Como referiu João Pedro Rodrigues, Presidente da EMPET E.M., “O nosso compromisso passa pela reflexão, pelo debate, mas é assumidamente público, pelo que as conclusões da 2ª Conferência serão divulgadas para que possam ser conhecidas e aprofundadas por todos. Neste sentido, fica aqui o compromisso da EMPET de publicar as conclusões na imprensa regional e no sítio www.ativartavira.pt abrindo assim um espaço de comentários e debate.”

Poderá consultar as conclusões e deixar os seus comentários e sugestões, bem como aceder a toda a informação e notícias relativas à conferência, nos seguintes sítios:

 

(clique em cima para aceder)

Comentário do Professor Carlos Vieira

Coordenador Científico do Projecto ATIVAR TAVIRA

Na segunda reunião debate do ATIVAR TAVIRA realizada a 23 de Novembro na Biblioteca Municipal de Tavira foram abordados assuntos relativos às áreas estratégicas da Região do Algarve, o turismo, o mar e o assunto alimentar em parte através da candidatura da dieta mediterrânica num primeiro painel, e no segundo o tema foi sobre financiamentos.

ATIVAR TAVIRA tem entre os seus objectivos estimular o debate e as alternativas de solução aos assuntos estratégicos da Região, esta segunda reunião – debate contou com mais de cem pessoas entre empresários, docentes e público interessado, o que sublinha o sucesso desta convocatória da Empresa Municipal dos Parques Empresariais de Tavira – EMPET.

Uma ideia chave foi e será nos futuros eventos continuar a incidir sobre os clusters relativos ao mar, turismo e agro-alimentar no sentido de estabelecer uma visão e prática de entender o desenvolvimento estratégico da Região como uma cadeia de valor dos clusters, o que significará esforços concretos de articulação de interesses através de uma intensa cooperação nomeadamente no reforço dos fluxos de informação e alianças estratégicas dos ditos sectores de atividade, e que ainda não faz parte da cultura empresarial da Região.

Temos a consciência que nada se faz de um dia para outro, o importante é ter uma conceção clara e argumentada do que é fundamental fazer para desenvolver uma capacidade de gestão competitiva em cada cluster e logo o importante de gerar uma estratégia de integração entre os clusters para criar as bases de um mercado interno forte o que permitirá logo competir em melhores condições, tão simples como o conceito universal de que “para ter evolução coerente e sólida temos que ter uma base muito firme, o essencial começa na base”.

Uma das coisas que tem que ser incutida nas empresas e nas organizações em geral é a otimização dos recursos, nesse sentido uma das ideias é que os clusters tenham uma crescente eficiência neste sentido, é ir além das prática rotineiras pois a competitividade hoje não é simplesmente fazer bem o fazer da forma habitual, a competitividade hoje é fazer cada vez melhor. Portugal em geral é um país que não tem um nível de otimização competitivo adequado aos tempos de hoje, ainda a prática consiste no melhor dos casos em preservar um dito resultado bom, o assunto hoje tem a ver com a superação permanente dos resultados e não na sua preservação, o que é bom ou excelente como resultado terá que ser melhor.

Todo Portugal hoje fala da crise, mas é da crise da falta de recursos, ninguém fala em Portugal da crise quando tínhamos os recursos, ninguém lembra-se do esbanjar os recursos, já tivemos tempos de bonança que só mostraram como gastar, quando tínhamos recursos à disposição não existia otimização como prática, hoje que existe uma crise de falta de recursos temos que assumir a otimização dos mesmos para ter uma cada vez melhor eficiência na sua utilização.

É fundamental semear uma cultura competitiva no país, na Região do Algarve, os tempos de hoje tem que ser os tempos de maximizar e não de desperdiçar recursos, a otimização nos permitira o seu máximo aproveitamento.

ATIVAR TAVIRA na sua visão estratégica desenvolverá este processo de orientar a uma cultura da competitividade na Região, as perspetivas são das melhores e terão sucesso na medida que as empresas e instituições entendam que toda crise é uma oportunidade para mudar na procura de equilíbrios dinâmicos que significam assumir desafios de melhorar através de uma cultura de cooperação para otimizar objetivos, sem perder de vista que a estratégia mais importante é criar um ambiente de confiança e colaboração entre as empresas, entre os sectores e entre as pessoas.

O futuro não sucede, o futuro faz-se acontecer, o tempo é um recurso estratégico fundamental, aprender a entender o tempo e o futuro da Região do Algarve na perspetiva competitiva será tema de próximos debates.

 

Conclusões:

PAINEL I – Algarve 3D

A ideia do painel foi integrar três perspetivas – a do Turismo, a do Mar e a do Sector Agroalimentar daí a designação do painel, ALGARVE 3D.

Pretendia-se um espaço de reflexão integrado sobre as dinâmicas do Algarve e do concelho no quadro da presente crise e busca ou sugestão de soluções ou linhas de ação para a atuação conjunta destes sectores, tao importantes para o concelho.

A primeira intervenção de André Dias, vice presidente da Maralgarve, visou apresentar a plataforma que se criou de dinamizar o cluster do mar na região, ideia esta que já tem sete anos de trabalho e que visa conjugar esforços nos principais sectores de atividade ligados ao mar. Pretende-se apoiar novos negócios, projetos e novos produtos.

Destacou ainda os dois principais projetos ligados ao mar a serem desenvolvidos para 2013 – a criação do portal Algarve como destino náutico; e a Rede de monitorização do meio marinho.

Terminou salientando que a finalidade desta organização Maralgarve e servir de facilitador e catalisador.

A segunda intervenção foi do Arq. Luís Nunes que apresentou a candidatura da Dieta Mediterrânica a Património, projeto este como grande síntese do estilo de vida mediterrânico, englobando desde o estímulo a produção local agroalimentar e pesqueira, passando pelo património, gastronomia e diversos tipos de celebrações emblemáticas que corporizam a nossa maneira de nos relacionarmos com o mundo que vivemos, a volta deste estilo de vida mediterrânico.

A grande diversidade dos recursos ambientais, históricos, patrimoniais, religiosos, a diversidade geográfica da serra ate ao mar, a riqueza do património folclórico e oral ou a diversidade das festividades religiosas de Tavira foi ainda destacado.

Esta candidatura da Camara de Tavira conta com o apoio da CCDR-Algarve e DR Agricultura.

A terceira intervenção foi corporizada por Vítor Neto e situou-se na análise da situação do Turismo no Algarve.

Salientando a tremenda concentração da população do Algarve em apenas 2km de faixa litoral, a grande diversidade de recursos e paisagem da região, focou que o alargamento das assimetrias regionais tem vindo a progredir.

Ao mesmo tempo salientou que a região vive a pior crise que há memória em relação ao turismo e, no geral, uma tripla crise – a crise de uma excessiva especialização no Turismo que esqueceu a revitalização e desenvolvimento dos outros sectores regionais; a crise do próprio Turismo que vê a região estagnar em termos de visitantes e dormidas que, por sua vez, se traduz numa perda de quotas de mercado internacional de quási 20% nos últimos dez anos; e a crise financeira e pública nacional e internacional.

Salientou como ideias mestras no seu “Plano B” o aproveitamento dos recursos próprios do Algarve, pelo estudo das nossas potencialidades, a necessidade de inovar quer nas indústrias do mar quer no sector agroalimentar, e, que, progressivamente se evolua para uma nova estrutura produtiva.

Seguiu-se depois o debate com a participação do público e as respostas dos intervenientes e moderador.

Destacaram-se como linhas mestras:

  • a necessidade um clima de confiança;
  • a necessidade de se estimular a criação de novas empresas e do empreendedorismo, de capital de semente e de investimento;
  • a necessidade uma agricultura inovadora;
  • a necessidade de uma liderança e de uma estratégia para a região e para este novo esforço coletivo que se deseja;
  • a necessidade de uma atitude de aproximação do Estado as empresas;
  • a necessidade maior cooperação intermunicipal.

 

PAINEL II – Financiamento e Perspetivas Financeiras 

O 2º Painel constituiu um momento de debate e reflexão sobre as disponibilidades financeiras nos canais público e privado, tanto na vertente de capital de investimento como de crédito.

Neste sentido o painel foi constituído por entidades representativas, dando resposta às questões suscitadas, com dois objetivos claros: no sentido da economia da região e mais restrito, no interesse do Parque Empresarial de Tavira e do seu mais recente projeto de instalação de uma Incubadora de empresas.

O Dr. António Ramos – Secretário Técnico do PO Algarve21 (CCDR-Algarve), trouxe ao debate as perspetivas financeiras do próximo quadro comunitário, tendo como premissas o programa dos Objetivos da Europa 2020, com o tema “Algarve 2014-2020 os desafios regionais de uma estratégia europeia”.

Em resposta ao 1º painel referiu de início que considera não haver falta de estratégia nem de liderança, é preciso sim capacitar os atores da região do Algarve, afirmando que para o futuro não há certezas, mas sim desafios.

As perspetivas financeiras do próximo quadro comunitário estão em fase de preparação e as questões vão ser tratadas nos próximos meses. Os desafios regionais são assentes numa estratégia europeia e as decisões são tomadas em Bruxelas, por isso é necessário que a nível regional nos saibamos adaptar e demonstrar que conseguimos cumprir.

O futuro do financiamento comunitário estabelece três áreas e objetivos primordiais - crescimento baseado no conhecimento e inovação, uma sociedade inclusiva com alta empregabilidade e crescimento verde numa economia sustentável.

Existem três tipologias de regiões: regiões ricas, regiões em transição e regiões menos desenvolvidas. E neste quadro de interesses há divergências entre as regiões que se consubstanciam no envelope financeiro para o período em referência.

O Algarve encontra-se no grupo das regiões intermedias ou em transição. Existindo hoje a duvida se esta tipologia de regiões se mantem e caso haja alterações o Algarve está na pior correlação de forças podendo passar para o grupo das regiões ricas, sendo este um péssimo cenário.

A Europa tem 11 Objetivos temáticos e dentro destes objetivos que contemplam 57 medidas o Algarve terá de conseguir escolher os seus objetivos, mas terá de provar que o envelope financeiro que pretende é capaz de cumprir esses objetivos de forma mensurável, orientando o que a região sabe fazer e o que consegue fazer. O que é matéria de infraestruturas estará vedado.

As referências ao nível de Emprego, ID, Alterações Climáticas, Energia, Educação, Pobreza e Exclusão social são as temáticas decididas pelo Estado português e que terá de cumprir. Entre as regiões de Portugal será necessário a negociação tendo em vista o cumprimento dos objetivos nacionais.

Temas chaves: Crescimento Inteligente, Sustentável e Inclusivo serão as tónicas de cerca de 80% do envelope para o Algarve.

A região tem de ser inteligente no desenho da estratégia do crescimento. E torna-se mais necessária essa inteligência, porque os indicadores do Algarve estão em “contramão”.

58% das nossas empresas estão em 4 sectores que representam 55% do emprego, mas a nossa especialização encontra-se em setores poucos inteligentes.

O Algarve tem os dados identificados e o “trabalho de casa” do que somos, onde estamos e o que podemos dar está feito. Caso do referenciamento das áreas de acolhimento empresarial, pensando primeiro no algarve e depois entre as empresas e como se podem especializar e a Agenda Regional do Mar foi trabalhada como cluster de atividades de oportunidade.

A nova estratégia implica um momento diferente, já não chega dizer que temos potencial, a Comissão Europeia quer ver no mercado o que investiu nas universidades. Precisamos agora de demonstrar que temos no terreno os atores e o conhecimento para transformar em resultados.

Até setembro vamos definir como e onde temos capacidade de intervir. O foco está praticamente clarificado como: Mar, Agroalimentar e Turismo, mas outros setores como a saúde devem ser potencializados.

A universidade tem de ter respostas e capacidade de inovar.

O Crescimento Sustentável implica um forte empenho na Energia Verde e temos de demonstrar que somos capazes de reduzir as emissões de CO2.

No Turismo será necessário construir um pacto social como cadeia de valor de proximidade no sentido de um cluster integrado, entre os pequenos grupos e os grandes grupos, garantido que a compra é referenciada num ciclo de proximidade, fazendo nomeadamente um mecanismo de certificação.

No futuro temos de olhar de maneira diferente.

Por último o exemplo TASA como um cluster de transferência tecnológica. Técnicas Ancestrais Soluções Atuais, assume uma abordagem diferente sem ser preciso começar de novo, mas olhamos a forma inovadora, como exemplo de economia inteligente, colocando o foco nas necessidades de mercado, dando valor ao artesanato e fazer crescer a cadeia e valor acrescentado.

A candidatura de Tavira no âmbito da Dieta Mediterrânica deverá ter um processo idêntico, pois trata-se de uma candidatura de Portugal que Tavira tem a honra de presidir e que vai arrastar para o pais um conjunto de requisitos que Tavira é o rosto ativo desse processo e é necessário saber potencializar na região.


Dr. João Pires - Direção do Algarve Business Angels
 
Começou por dar a conhecer o conceito de Business Angels como agregador de investidores privados, com o perfil de investidor com capital de conhecimento e capacidade de construir redes.

O Business Angels (BA) trabalha na aproximação entre investidor e empreendedor com viabilidade de crescimento real, num sentido tripartido interligando investidores, empreendedores e entidades como é o caso da aliança com a UALG. Só com esta interligação é possível aparecerem projetos com qualidade e inovação que despertem o interesse para um investidor privado.

O movimento BA existe de uma forma organizada desde 2000 e a FNABA foi criada em 2006. Em 2008 os BA foram reconhecidos por lei e em 2010 foi reconhecido um benefício fiscal especifico para os BA.

Em 2011 foi criado um fundo de coinvestimento com 42 milhões de euros, ao abrigo do COMPETE, o qual tem a fórmula, de por cada euro investido o fundo coloca outro euro, otimizando o investimento e reduzindo o risco. Contudo para o Algarve que se encontra em phasing out este fundo não se coloca. O Algarve não pode estar fora deste fundo, é preciso gerar argumentos junto do Estado para que esta situação se reverta.

Na Algarve Business Angels, números de 2010, há 404 BA e foram apresentados 485 planos de negócios, dos quais 84 foram presentes a Business Angels e concretizados 10, com um montante medio 104.600 euros.  

O investidor participa normalmente desde a fase inicial da empresa, com o intuito claro de desenvolver, valorizar e vender a sua participação como mais-valia numa fase posterior. O empreendedorismo que mais interessa é o de maior valor acrescentado, de base tecnológica e inovador.

Considerando as várias fases de desenvolvimento da empresa é nas fases de seed capital e start up que o BA atua e a entrada no processo pode ser útil.

Por último importa referir que os BA, hoje cerca de 500, funcionam em rede a nível europeu, fazendo mecanismo de ligação e fusão de investidores, constituindo-se como uma mais-valia para os empreendedores portugueses.

Dr. António Monteiro - Banco Popular (BP) – Diretor Coordenador para a Área Sul
 
Fundado em 1926 tem hoje 6% de quota de mercado em Espanha com 8 milhões de clientes. 72% do negócio é em PME e particulares, muito virado para a economia real. 191 Agências em Portugal com 339.000 clientes, com forte componente nas PME e particulares. 12 no algarve com um volume de negócios a crescer 11% em 2011.

A mensagem tem de ser positiva, de sucesso. Portugal tem quadros nas maiores empresas mundiais e produtos líderes. Na banca em Portugal conseguimos fazer melhor e se queremos que a economia cresça têm de ser os empresários com o apoio das entidades públicas.

O BP apoia e é parceiro de negócios e tem casos de sucesso. Importa ver que muitos dos casos de sucesso são em parcerias. Em 2011 o BP apoiou muito a agro-indústria e a agricultura, por exemplo 40% do olival de Beja teve o apoio do banco.

Referiu por ultimo que do crédito às empresas o BP ainda tem cerca de 200 M€ disponíveis e está aberto a analisar todos os processos.

Deste painel há a destacar algumas linhas mestras:

  • O próximo quadro comunitário terá de ser olhado de uma forma diferente, tendo como premissa o Crescimento Inteligente;
  • Mantem-se a dúvida da tipologia do Algarve nos grupos de regiões;
  • O Algarve tem de ser capaz de enquadrar da melhor forma os objetivos e demonstrar que é capaz de fazer;
  • O “trabalho de casa” de dados, monitorização e estratégia está feito e importa nos próximos 10 meses que a região seja capaz de agregar toda a sua inteligência e colocá-la no desenho da estratégia do crescimento;
  • Os projetos empresariais têm na atividade de Business Angels um investidor parceiro e promotor;
  • O instrumento de apoio do COMPETE aos projetos Business Angels tem de ser enquadrável na região do Algarve.
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